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A rota dos fãs sergipanos que cruzam o país pela turnê do BTS causa uma explosão de buscas sobre os três shows esgotados

O relógio marcava pouco mais de 4h da manhã no Aeroporto Internacional de Aracaju quando a estudante universitária Camila Santos, de 22 anos, conferia pela décima vez o passaporte, os ingressos e, claro, a Army Bomb — o bastão luminoso oficial do grupo sul-coreano BTS. Ela faz parte de um contingente expressivo de jovens sergipanos que, nesta semana, trocaram a calmaria das praias de Atalaia pelo ritmo frenético da capital paulista.

Por Redação Sergipe Notícias • Publicado em 30/10/2026 às 12:58 •
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A rota dos fãs sergipanos que cruzam o país pela turnê do BTS causa uma explosão de buscas sobre os três shows esgotados

 

O relógio marcava pouco mais de 4h da manhã no Aeroporto Internacional de Aracaju quando a estudante universitária Camila Santos, de 22 anos, conferia pela décima vez o passaporte, os ingressos e, claro, a Army Bomb — o bastão luminoso oficial do grupo sul-coreano BTS. Ela faz parte de um contingente expressivo de jovens sergipanos que, nesta semana, trocaram a calmaria das praias de Atalaia pelo ritmo frenético da capital paulista.

O motivo? A histórica turnê mundial ARIRANG, que traz o septeto mais famoso do K-pop de volta ao Brasil após sete anos para três apresentações completamente esgotadas no estádio do MorumBIS, em São Paulo. Com uma demanda nacional que ultrapassou 3,7 milhões de acessos simultâneos na disputa por ingressos, conseguir um lugar na pista ou nas arquibancadas foi apenas o primeiro desafio de uma verdadeira maratona logística enfrentada por quem vive no Nordeste.

O custo da paixão em solo sergipano

Para os fãs de Sergipe, o investimento vai muito além dos valores oficiais dos ingressos, que variam de R$ 408 (meia-entrada na arquibancada) a mais de R$ 4.500 no pacote VIP de passagem de som. O verdadeiro peso no orçamento está no deslocamento aéreo e na hospedagem.

"Planejar essa viagem começou em abril, assim que as vendas abriram", conta o designer gráfico Mateus Oliveira, 25 anos, morador de Nossa Senhora do Socorro. "Entre as passagens partindo de Aracaju, hospedagem dividida em um hostel perto do metrô em São Paulo, alimentação e os ingressos, gastei cerca de R$ 4.200. Tive que fazer freelas extras nos últimos seis meses e abrir mão de muitas saídas por aqui, mas ver o grupo completo de novo no palco não tem preço", relata.

As caravanas organizadas pelas redes sociais ajudaram a baratear os custos e a garantir a segurança, principalmente para os fãs mais jovens que viajam sem os pais.

Grupos de WhatsApp criados especificamente para "Armys de Sergipe" serviram para mapear quem estaria nos mesmos voos e coordenar a divisão de transporte por aplicativo na chegada a Guarulhos ou Congonhas.

Ponto de encontro local: Do Centro para o mundo

A febre do K-pop não se restringe apenas a quem conseguiu viajar. O fenômeno movimenta o comércio e a cena cultural de Aracaju durante o ano inteiro. Lojas especializadas localizadas no Centro da capital, como a New Moon K-pop Store, registram um aumento expressivo na procura por álbuns físicos, cards colecionáveis e acessórios temáticos sempre que grandes anúncios de turnês acontecem.

Para os fãs que não puderam arcar com os custos de ir até São Paulo, o jeito foi criar alternativas em solo local. Cinemas de shoppings de Aracaju programaram sessões especiais para a transmissão ao vivo do show de sexta-feira, permitindo que a comunidade local celebrasse junta, cantando os fan chants (coros oficiais) diretamente das salas de projeção.

Mais que música, uma rede de apoio

"Quem olha de fora acha que é só uma obsessão por meninos bonitos cantando em coreano, mas a comunidade K-pop em Sergipe funciona como uma grande rede de apoio e amizade", explica Camila, minutos antes de embarcar para São Paulo. "A gente se ajuda a estudar para o vestibular, compartilha problemas do dia a dia e cria laços que começam na internet e viram amizades para a vida inteira."

Enquanto o BTS faz tremer as estruturas do MorumBIS na capital paulista, a vibração ecoa forte a milhares de quilômetros de distância, provando que as barreiras geográficas de Sergipe são pequenas demais para o tamanho do amor dessa engajada base de fãs.

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