Presidente do Sergipe detalha dívida de R$ 1,5 milhão e projeta SAF como saída
Clovis Barbosa admite salários atrasados, 28 ações trabalhistas e diz que clube vive "tsunami financeiro"

O convidado desta quarta-feira do ZYB Podcast Esporte Clube foi o presidente do Sergipe, Clovis Barbosa, eleito em julho deste ano para completar um mandato de dois anos e quatro meses da atual gestão. O mandato vai até 30 de setembro de 2027.
Natural de Estância, Clovis já presidiu a Ordem dos Advogados do Brasil em Sergipe (OAB/SE), foi procurador-geral da Universidade Federal de Sergipe (UFS) e também de Aracaju, entre 2004 e 2006. Além disso, ocupou o cargo de secretário de Estado do Governo de Sergipe e foi conselheiro do Tribunal de Contas do Estado.
Durante o bate-papo, o dirigente colorado falou sobre diversos temas, em especial a situação delicada encontrada ao assumir o clube.
— Assumi para pagar uma folha de R$ 350 mil, sem um centavo nas contas do Sergipe e com todos os patrocínios até dezembro de 2025 já antecipados pela diretoria anterior. Conseguimos quitar as despesas de junho, mas estamos com dificuldades para pagar as de julho: só conseguimos arcar com 30% da folha — disse.
— Logo depois teremos o problema da folha de agosto e das rescisões contratuais dos atletas. O Sergipe é viável, mas apenas para o próximo ano, quando os patrocínios começam a entrar. Por enquanto, não temos calendário para 2026 — completou.
O presidente revelou ainda que os aluguéis dos jogadores, pagos pelo clube, também estão atrasados. Ele destacou que a antecipação dos patrocínios traz outro problema: o valor não chega integralmente, já que parte é abatida pelos juros.
— É uma tempestade violenta que estamos enfrentando. Não é um tufão, é um tsunami. Hoje temos uma dívida na faixa de R$ 1,5 milhão, com 28 processos trabalhistas, que precisamos enfrentar a curto prazo. Três empresários demonstraram interesse em transformar o Sergipe em SAF, e eu cheguei a dizer a um deles que, se adiantasse R$ 1 milhão, trabalharia para que ele ficasse com a SAF. Ele respondeu que viajaria para a Europa e que conversaríamos quando voltasse. Mas no Sergipe nada é para ontem, é sempre para antes de ontem — relatou.
Segundo Clovis Barbosa, o clube precisa levantar entre R$ 800 mil e R$ 900 mil para terminar a temporada. Ele não escondeu a visão crítica sobre a atual forma de gestão do futebol brasileiro.
— Hoje o Sergipe é um time de faz de conta, porque eu pago a você, mas não recolho seu fundo de garantia, seu INSS. Depois, vem a bronca com juros e correção monetária. Infelizmente, essa é a realidade do futebol brasileiro: você finge que está pagando os tributos, mas, na verdade, não está pagando nada.
— Tenho que arranjar até amanhã R$ 250 mil, mais R$ 350 mil para a folha de agosto, além de cerca de R$ 100 mil para rescisões contratuais e entre R$ 100 mil e R$ 200 mil para despesas do dia a dia — revelou.
SAF como saída
Para o novo presidente, a solução passa pela transformação do Sergipe em Sociedade Anônima do Futebol (SAF).
— O futuro do Sergipe é a SAF, e já recebemos quatro propostas. Existem vários modelos: em um, você entrega todo o patrimônio; em outro, não. Há também SAFs que administram apenas o futebol. O grande interesse dos investidores é na base, porque é de onde podem tirar retorno. Estou estudando bastante, já conversei com três grupos e analisei o modelo do Bahia. Hoje, eu apoiaria uma SAF sem a entrada do patrimônio, apenas com investimento. Mas não há proposta concreta ainda, apenas conversas — explicou.
Ele revelou que duas grandes empresas, ligadas a um grupo internacional, chegaram a oferecer investimento de R$ 100 mil mensais cada uma — o que renderia R$ 2,4 milhões ao ano.
— Seria uma ajuda considerável, mas eles pediram as contas do Sergipe dos últimos cinco anos, e eu não tenho. Eles precisam saber onde investir. Essas empresas trabalham com auditoria interna, externa, compliance para validar gastos. Temos contas de 2021 que ainda não foram aprovadas, além de 2022, 2023 e 2024 — finalizou.
Próximos desafios em campo
Sem calendário definido para 2026, além do Campeonato Sergipano, o foco do Gipão está totalmente voltado para a Copa Governo do Estado, que dá ao campeão uma vaga na Série D de 2026
Na semifinal da competição, o Sergipe enfrenta nesta quarta-feira o Lagarto, às 19h, na Arena Batistão. O vencedor garante vaga na final. Caso o time colorado supere o Verdão e o Itabaiana elimine o Falcon, o Gipão já assegura a vaga na Série D mesmo sem conquistar o título.
Fonte: GE SE
Venda de ingressos para confronto entre Confiança e Bahia está disponível
Partida decisiva pela Copa do Nordeste acontece na próxima quarta-feira (3), às 21h30, na Arena Batistão