A doze dias do primeiro turno das eleições, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deverá utilizar o discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), nesta terça-feira (22), em Nova York, para reforçar bandeiras importantes de sua campanha à reeleição.
Na avaliação de interlocutores da Presidência, Lula deve mais uma vez buscar marcar posição como uma liderança mundial e, ao mesmo tempo, enviar recados ao Brasil, sobretudo à própria base na reta final da campanha.
A soberania será um dos principais eixos do discurso. Lula deve afirmar que cabe aos brasileiros decidir os rumos do país e escolher seus governantes, sem ingerência estrangeira.
O tema está diretamente ligado à campanha presidencial. A soberania tornou-se um dos principais motes usados pelo petista para tratar de questionamentos ao processo eleitoral, pressões comerciais, minerais estratégicos e combate às organizações criminosas.
Entre as preocupações do governo está uma eventual interferência dos Estados Unidos na eleição brasileira em favor de Flávio Bolsonaro, candidato do PL ao Palácio do Planalto. A aproximação do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e de seus aliados com integrantes do governo americano aumentou o receio de que manifestações ou medidas externas possam repercutir na disputa.
O presidente também deve abordar a emergência climática e a atuação do Brasil contra as facções criminosas. Nesse ponto, a intenção é defender a estratégia brasileira e se contrapor à classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos.
Lula deve argumentar que o enfrentamento ao crime organizado exige cooperação internacional, troca de informações e combate às fontes de financiamento, mas sem intervenções externas em decisões que cabem às autoridades brasileiras.
O discurso deve durar cerca de 20 minutos. Apesar das mensagens dirigidas ao governo americano, Lula não pretende se referir pessoalmente a Donald Trump. O cálculo político é responder às pressões americanas sem ampliar o atrito entre os dois países na reta final da eleição.
Como ocorre tradicionalmente, o discurso é discutido com diplomatas e auxiliares próximos do presidente e pode ser ajustado até minutos antes de Lula subir à tribuna da ONU.
Também há expectativa sobre um possível encontro informal entre Lula e Trump nos corredores das Nações Unidas. No ano passado, os dois tiveram um contato breve em meio à crise provocada pelo tarifaço, quando o presidente americano afirmou que havia surgido uma “química” entre eles.
Em entrevista à âncora da CNN Christiane Amanpour na segunda-feira (21), Lula afirmou que Trump já sinalizou que não pretende interferir na eleição brasileira.
“Ele já disse para muita gente que não vai se envolver nas eleições brasileiras. E é bom que seja assim”, afirmou. Lula acrescentou que esse é o comportamento que espera de um presidente da República e defendeu que cabe aos eleitores de cada país decidir o resultado das próprias eleições.
O petista, porém, disse estar “muito preocupado” com uma possível atuação do secretário de Estado americano, Marco Rubio. Lula citou a proximidade de Rubio com o bolsonarismo e mencionou o risco do uso de inteligência artificial para interferir na disputa.
“Já há indícios de interferência de inteligência artificial. Eu estou muito preocupado com o Marco Rubio, porque o Marco Rubio é muito ligado ao pessoal do bolsonarismo, mas, por enquanto, é só suspeita”, declarou.
Fonte: CNNBrasil




