Sergipe Notícias
Publicidade
Política

Liderancas políticas de Minas ficam no centro da Politica Nacional

Minas Gerais ficou ao centro da disputa nacional em 2026. Como o segundo maior colégio eleitoral do país, com 16.377.659 eleitores e 10,32% do eleitorado nacional, ele é tratado como "estado pêndulo" por oscilar entre direita e esquerda nos últimos 30 anos e como "espelho do Brasil" por refletir o vencedor presidencial desde a redemocratização.

Por Redação Sergipe Notícias • Publicado em 30/10/2026 às 11:21 •
Compartilhe: Compartilhar no X Compartilhar no facebook Compartilhar no Whatsapp
Liderancas políticas de Minas ficam no centro da Politica Nacional

 

Minas Gerais ficou ao centro da disputa nacional em 2026. Como o segundo maior colégio eleitoral do país, com 16.377.659 eleitores e 10,32% do eleitorado nacional, ele é tratado como "estado pêndulo" por oscilar entre direita e esquerda nos últimos 30 anos e como "espelho do Brasil" por refletir o vencedor presidencial desde a redemocratização.

No primeiro turno, Flávio Bolsonaro (PL) liderou no estado com 48,24% contra 43,33% de Lula, mas Lula venceu em mais municípios - 452 contra 401 de Flávio. No país, foi 47,03% a 45,16%, levando ao segundo turno em 25 de outubro, vencido por Lula com 51,79% contra 48,21% - a primeira virada entre turnos na Nova República.

Nesse cenário, os protagonistas não foram só os candidatos à presidência, mas os puxadores de voto mineiros. Acompanhe a análise feita pelo professor e especialista Marcelo Vitorino:

O campo da direita - a rua e a escala

Nikolas Ferreira (PL) - 26,1 milhões de seguidores, foi o deputado federal mais votado da história do Brasil com 3.119.318 votos. Virou a face mais visível da campanha de Flávio, empenhado na corrida ao segundo turno.

Contribuição: liderou o "Bloco do 22", turnê com carreatas, cavalgadas e motociatas por dezenas de municípios. Estudo da Ativaweb mostrou que teve o maior ganho absoluto no segundo turno: +1.763.867 seguidores, com quase 98 mil por post, e foi o rosto da campanha onde Flávio não esteve. Seu crescimento equivaleu a 60,7% do crescimento de Flávio no período. A síntese do levantamento feito pelo especialistaem marketing Politico Marcelo Vitorino é de que : " Janones ganhou na intensidade, Nikolas ganhou na escala".

Cleitinho Azevedo (Republicanos) - eleito governador de Minas no primeiro turno com 55,40%, mais de 6,3 milhões de votos, conquistando o governo do segundo maior colégio eleitoral do país.

Contribuição: diferente de um cabo eleitoral tradicional, ele dosou o apoio a Flávio e tentou se preservar visando o futuro governo. Apareceu em vídeo com Flávio e Nikolas reforçando apoio ao 22 e ofereceu palanque institucional ao lado de Tarcísio de Freitas (SP), mas manteve discurso de que dialogaria com quem vencesse e pautou até a PEC do fim da escala 6x1.

Gleidson Azevedo, Marco Antônio Superman e Maurício do Vôlei - completam o núcleo do interior e da bancada do PL, que se tornou a maior de Minas com 21 cadeiras. O fato de Divinópolis ter três nomes no top 10 mais seguidos mostra a interiorização da força digital da direita.

O campo da esquerda - o digital e a mobilização

André Janones (Rede) - reeleito com 78.780 votos, mas protagonista digital do segundo turno.

Contribuição: coordenou o canal de WhatsApp "Exército do Lula", que saiu de cerca de 50 mil inscritos para 10.861.437 ao final do segundo turno. Foi peça central da ofensiva "Bota para virar" lançada em 9 de outubro, combinando engajamento massivo com bandeiras como fim da escala 6x1. Seu crescimento equivaleu a 52% do crescimento de Lula e teve o maior crescimento proporcional: 28,32%. A análise: "Nikolas transformou seguidor em voto. Janones transformou seguidor em mobilização".

Ana Elisa (PT) - 21 anos, segunda mais votada do país com 524.219 votos, mulher mais votada da história de MG e mais jovem eleita na Câmara desde 1994. Tornou-se referência importante na corrida lulista para o segundo turno ao lado de Janones.

Contribuição: deu rosto jovem à campanha nas redes, convocada por Lula junto com Erika Hilton (PSOL) na reta final para ampliar alcance entre eleitores jovens e progressistas.

Duda Salabert e Pedro Rousseff - representam a renovação da esquerda mineira no digital, com 920 mil e 1,5 milhão de seguidores respectivamente, ajudando a ocupar nichos urbanos de BH e interior onde Lula precisava virar.

3. Por que Minas pesou tanto?

Minas teve abstenção de 22,8%, acima da média nacional de 21,08%, com 3.735.098 eleitores que não foram às urnas no primeiro turno. Flávio liderou em 9 dos 10 maiores colégios de MG, Lula só em Juiz de Fora. Isso fez as duas campanhas focarem o estado na última semana: Lula em Juiz de Fora, Ipatinga e caminhada em BH; Flávio em Capelinha no Jequitinhonha e motociata em BH ao lado de Nikolas e Cleitinho.

No final, os dois deputados mineiros somaram 3,4 milhões de seguidores em 20 dias, equivalente a 56,2% de tudo que Lula e Flávio ganharam juntos. Minas não só votou, ela produziu os amplificadores que levaram a campanha presidencial para a rua e para o WhatsApp.

Leia Também

Publicidade