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Saúde

Apoio emocional é chave para evitar depressão em idosos, conclui estudo

Pesquisa indica que a presença de vínculos afetivos fortes é mais determinante para a saúde mental na velhice do que a ajuda em tarefas do dia a dia

Por Redação Sergipe Notícias Publicado em 11/01/2026 às 05:21
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Apoio emocional é chave para evitar depressão em idosos, conclui estudo

 

 

Uma meta-análise internacional com quase 24 mil pessoas idosas revela que receber apoio emocional está associado à redução de sintomas depressivos na velhice. A depressão é um problema de saúde pública e afeta mais de 25 milhões de indivíduos no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Entre os idosos, ela está crescendo de forma acelerada, aumentando o risco de mortalidade, piora de doenças crônicas, declínio cognitivo e suicídio.

Publicado em outubro no American Journal of Epidemiology, o trabalho reuniu dados de 11 estudos conduzidos em países de diferentes contextos culturais, como Brasil, Austrália, China, Alemanha, Índia, Coreia do Sul, Suécia e Estados Unidos. A análise mostrou resultados semelhantes em todas essas regiões: o suporte emocional (ter com quem conversar) reduziu a intensidade de sintomas depressivos em todas as coortes analisadas, enquanto o apoio instrumental (receber ajuda prática) não teve o mesmo efeito protetor ou até foi associado a mais depressão em algumas populações.

Para a geriatra Thais Ioshimoto, do Einstein Hospital Israelita, os achados ajudam a explicar um fenômeno já observado na prática clínica. “A depressão do idoso é uma doença bem prevalente. Os números variam, mas estima-se que cerca de 20% dos idosos têm depressão. Quando não tratada, a doença pode trazer consequências à saúde e piora da qualidade de vida”, afirma.

A principal diferença entre os dois tipos de suporte está justamente na experiência subjetiva entre pessoas idosas. “Receber apoio instrumental é ter alguém para ajudar nas tarefas cotidianas, como tomar banho, trocar de roupa ou levantar-se da cama. Receber apoio emocional é muito mais do que isso: é ter alguém para conversar, é acolhimento”, explica Ioshimoto. “Uma pessoa pode ter um cuidador que a auxilie em todas as atividades, mas não ofereça a segurança emocional necessária. Muitas vezes, isso até gera mais insegurança, porque o idoso teme o abandono quando não há vínculo afetivo.”

Segundo o estudo, em alguns casos, receber apenas ajuda prática pode até aumentar sintomas de depressão, especialmente quando está associado à perda de autonomia. “Receber apoio instrumental significa que a pessoa não consegue mais fazer determinada atividade sozinha. Para alguns, essa perda da independência é altamente estressante e pode levar à depressão, principalmente entre idosos que eram muito hígidos ou independentes”, analisa a geriatra.

Importância do apoio emocional

O suporte emocional ajuda no processamento de experiências difíceis, reduz o impacto do estresse e combate a solidão, que é um dos principais fatores associados à depressão na velhice. O estudo revela ainda que esse efeito protetor é semelhante em homens e mulheres, contrariando hipóteses de que haveria diferenças entre os sexos.

Para Thais Ioshimoto, identificar pessoas com pouco apoio emocional é essencial, mas isso exige tempo e interesse, recursos cada vez mais escassos. “A medicina atual, que muitas vezes tem foco apenas em resultados econômicos, não consegue olhar para o paciente de forma individualizada e humana”, critica a médica. “É preciso estabelecer um vínculo médico-paciente para que ele consiga relatar aspectos sociais e emocionais. Nada substitui uma boa conversa para identificar o grau de apoio emocional que esse idoso apresenta.”

Também é importante identificar indivíduos em vulnerabilidade social, que em geral não têm suporte emocional nem instrumental, sendo o grupo de maior risco. Uma boa conversa feita por médicos ou equipes multidisciplinares das unidades básicas de saúde pode ser suficiente para reconhecer quem vive isolado ou sem vínculos afetivos.

Segundo o estudo, investir em estruturas que favoreçam convivência, grupos comunitários, redes de apoio e atividades intergeracionais pode ajudar a reduzir o isolamento, sobretudo em centros urbanos. “Pouco se fala sobre as relações afetivas no envelhecimento saudável, mas sabemos que idosos com suporte afetivo, seja de familiares, amigos ou comunidade, vivem mais e melhor”, assegura a médica do Einstein.

 

Fonte: Agência Einstein

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