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Saúde

Masculinidade, repressão emocional e saúde mental

Especialista reflete sobre o que está por trás da ideia de que “homem não chora”

Por Redação Sergipe Notícias Publicado em 30/01/2026 às 18:15
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Masculinidade, repressão emocional e saúde mental

A ideia de que “homem não chora” tem raízes profundas na cultura patriarcal, que historicamente associou a masculinidade à força, ao controle e à invulnerabilidade emocional. Desde a infância, muitos meninos são ensinados a reprimir sentimentos, aprendendo que expressar dor, medo ou tristeza é sinal de fraqueza. Essa construção social atravessa gerações e impacta diretamente a forma como os homens lidam com suas emoções ao longo da vida.

A psicóloga da Hapvida, Lua Helena Moon, explica como esse processo se constrói desde cedo.

“Desde a infância, muitos meninos aprendem a esconder tristeza, medo e frustração. Não são incentivados a falar sobre o que sentem e crescem tentando lidar com tudo no silêncio ou na raiva. Essa repressão emocional cobra um preço: ansiedade, depressão, isolamento, uso abusivo de álcool e dificuldades nos vínculos. Esse sofrimento também impacta o entorno — companheiras, filhos e colegas. Em situações extremas, a dor não elaborada pode contribuir para episódios de violência. O machismo isola os homens da própria sensibilidade, e isso adoece”, afirma.

Dados do Ministério da Saúde (DataSUS) reforçam esse alerta: entre 2015 e 2022, o Brasil registrou mais de 107 mil mortes por suicídio, sendo cerca de 80% das vítimas homens. Os números evidenciam a urgência de um olhar mais atento para a saúde mental masculina.

“Na prática, os homens demoram mais a buscar cuidado. Quando chegam, muitas vezes o sofrimento já está no limite. Existe o medo de parecer frágil ou de perder respeito. Esse cenário se agrava entre homens que enfrentam homofobia ou exclusão social, já que nem sempre os espaços de cuidado parecem feitos para eles. Por isso, além de acolher, os serviços de saúde precisam comunicar, de forma clara, que esse acolhimento é real e acessível a todos os homens”, ressalta a especialista.

Para a psicóloga, é fundamental ampliar o diálogo sobre a expressão emocional desde a infância, além de incentivar a busca por apoio profissional sempre que necessário.
“Também são importantes campanhas que mostrem que não existe um único modelo de masculinidade. A saúde mental masculina precisa ser compreendida como uma responsabilidade coletiva. Homens que cuidam de si constroem vínculos mais saudáveis e contribuem para sociedades mais seguras”, finaliza.

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