O Abril Azul, mês dedicado à conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), reforça a importância da inclusão social de jovens e adultos que vivem essa realidade atípica. De acordo com o Censo Demográfico de 2022, 2,4 milhões de pessoas foram identificadas com diagnóstico de TEA, o que corresponde a 1,2% da população brasileira. A evidência desses diagnósticos traz consigo a discussão sobre pessoas que são reconhecidas tardiamente com autismo, assim como sobre aquelas que crescem com o diagnóstico e precisam enfrentar a vida adulta.
É nesse contexto que o Instituto Ana Carollina atua diariamente. Localizado em Sergipe, na cidade de Simão Dias, o instituto acolhe pessoas com TEA e outras deficiências, oferecendo apoio às famílias e atividades que podem ser realizadas pelos diagnosticados e seus familiares.
O F5 News entrevistou o fundador e presidente do Instituto Ana Carollina, Raimundo dos Santos Oliveira, especialista em Planejamento Educacional, Psicologia e Autismo, Educação Especial Inclusiva e Autismo. O objetivo foi entender como pessoas adultas podem ser auxiliadas na inserção no mercado de trabalho. Questionado sobre os caminhos adotados pelo instituto no direcionamento e apoio desses adultos e de suas famílias, ele destacou as principais iniciativas.
F5 News – Como surgiu a ideia para a abertura do instituto e quais desafios foram enfrentados até sua consolidação em Simão Dias?
Raimundo dos Santos Oliveira – O Instituto Ana Carollina nasceu a partir do movimento chamado “Autismo Simão”, que criamos no início de 2001, três anos após o diagnóstico da minha filha, Ana Carollina, com autismo nível 3 de suporte e não verbal. Hoje ela tem 27 anos. Também surgiu a partir do projeto Pernas Amigas, criado em 2013, para transportar minha filha e outras crianças em triciclos adaptados em corridas de rua.
Com a aceitação da comunidade, em 2019 surgiu a necessidade de transformar o movimento, que era informal, em uma organização formal. Atualmente, a instituição é reconhecida como de utilidade pública municipal e estadual.
F5 News – Normalmente, quando se pensa em autismo, ele é associado a crianças, mas elas crescem. O instituto também auxilia pessoas adultas dentro do espectro?
Raimundo dos Santos Oliveira – Isso é verdade. Existem poucas, ou quase nenhuma, políticas públicas voltadas para pessoas adultas no espectro autista. Um exemplo é o da minha primeira filha, Priscilla, de 34 anos, nível 2 de suporte, que está desempregada.
Oferecemos cursos gratuitos para mulheres, como manicure e design de sobrancelhas, além de orientações para o empoderamento no mercado de trabalho. Também realizamos oficinas de capoeira e práticas esportivas para ambos os sexos. Estamos, ainda, promovendo campanhas junto ao comércio local para incentivar a inserção de pessoas com TEA no mercado de trabalho.
F5 News – Como foi o processo de consolidação do Instituto Ana Carolina e como ele atua no apoio às famílias atípicas?
Raimundo dos Santos Oliveira – Sempre contamos com o apoio informal da população local, desde o início do projeto até hoje. Também temos a colaboração de voluntários e de profissionais das áreas da saúde e da educação.
Mantemos uma rede de apoio com mais de 250 famílias, tanto por meio de grupos nas redes sociais quanto presencialmente. Oferecemos atendimentos psicológicos, pilates e assistência social para os familiares, além de terapias voltadas para crianças, jovens e adultos com TEA e outras deficiências.
Disponibilizamos, de forma semanal e quinzenal, terapias como psicologia, psicopedagogia, neuropsicopedagogia, fisioterapia (pilates solo) e terapia ocupacional. Todos os serviços são gratuitos, graças ao trabalho de profissionais voluntários.
Há muitos anos, levamos o projeto para outras cidades, tanto em Sergipe quanto na nossa vizinha Bahia, compartilhando nossa experiência por meio de palestras, workshops, rodas de conversa, entre outras [atividades].
Fonte: F5News




