As festas juninas estão entre os períodos mais aguardados pelos nordestinos. Marcadas por música, danças, comidas típicas, cores e muita animação, as celebrações movimentam cidades e reúnem famílias em todo o Nordeste.
No entanto, para famílias de crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA), esse período também pode representar desafios relacionados ao excesso de estímulos e às mudanças na rotina.
De acordo com a psicóloga Juscimária Bezerra, da Hapvida, fatores como sons altos, fogos de artifício, grande circulação de pessoas e ambientes muito movimentados podem provocar desconforto e sobrecarga sensorial, tornando necessária uma preparação prévia para que pessoas com autismo possam participar dos festejos de forma mais tranquila.
Uma das principais orientações da especialista é oferecer previsibilidade às crianças e aos adolescentes antes dos eventos. “É importante explicar como será o ambiente, onde acontecerá a festa e quais atividades estarão presentes. Isso ajuda na preparação emocional e psicológica para o momento”, destaca.
Para pessoas não verbais, a psicóloga recomenda o uso de recursos visuais, como imagens e vídeos, que auxiliem a compreensão do que será vivenciado durante a celebração.
Outro ponto importante é a proteção auditiva. Segundo Juscimária, famílias devem considerar o uso de abafadores de ruído ou fones adequados, especialmente para crianças e adolescentes que apresentam hipersensibilidade aos sons. A medida pode minimizar os impactos provocados pela música em volume elevado e pelos fogos de artifício, comuns nas comemorações juninas.
A especialista também orienta que os responsáveis identifiquem previamente espaços mais tranquilos dentro dos locais de festa. Esses ambientes podem servir como pontos de apoio para pausas e momentos de autorregulação quando houver sinais de sobrecarga sensorial.
Itens como massinhas, bolinhas sensoriais e outros recursos táteis também podem contribuir para o bem-estar durante os eventos. “Esses objetos ajudam no processo de autorregulação e podem oferecer mais conforto à criança ou adolescente”, explica.
Respeito às individualidades
Juscimária Bezerra ressalta que cada pessoa possui necessidades específicas e que não existe uma estratégia única capaz de atender a todos. “O que funciona para uma pessoa pode não funcionar para outra. Por isso, é fundamental conhecer as necessidades individuais e planejar formas de apoio de maneira antecipada”, afirma.
Para a psicóloga, a inclusão passa pelo respeito às características sensoriais de cada indivíduo. Com planejamento e acolhimento, é possível tornar os festejos juninos mais acessíveis para crianças, adolescentes e adultos autistas, garantindo que todos possam desfrutar das tradições culturais com segurança e conforto.
“A organização prévia e o respeito às necessidades de cada pessoa permitem que as famílias vivenciem esse período de forma mais leve, tranquila e feliz, aproveitando tudo o que as festas juninas têm de melhor”, conclui.



