Após pronunciamento do influenciador Felca viralizar ao expor fobia social causada por bullying, especialista da Hapvida alerta para impacto relacional na saúde mental dos adolescentes
O pronunciamento do influenciador Felca trouxe à tona um debate urgente sobre saúde mental. Ao expor seu laudo de fobia social decorrente de anos de bullying sofrido na infância e adolescência, ele deu rosto a uma violência silenciosa que afeta um em cada quatro
adolescentes no Brasil, segundo o IBGE.
Para a psicóloga Irenilza Moura, da Hapvida, esse comportamento não pode ser banalizado e precisa ser compreendido como violência. “O bullying não é brincadeira, é uma violência psicológica e social. Ele envolve comportamentos agressivos, repetitivos e uma assimetria de poder entre quem agride e quem sofre. Seja por apelidos, exclusão de grupos ou agressões virtuais, qualquer uma dessas condutas gera um sofrimento emocional significativo", alerta a especialista.
"O que mais machuca não é o apelido, nem a agressão física, mas sim o isolamento. Você se torna tão invisível que as pessoas falam mal de você do seu lado, como se você não existisse", relatou Felca — sintetizando a essência do bullying relacional, também conhecido
como violência psicológica passiva ou ostracismo social.
Diferente da violência direta, o bullying relacional age nas entrelinhas. Ele se consolida quando alguém é sistematicamente excluído de grupos de mensagens, trabalhos escolares, festas ou passeios. Manifesta-se no tratamento de silêncio, na linguagem corporal de desprezo (bufar, revirar os olhos) e em campanhas de difamação veladas.
Um estudo do King’s College London aponta que vítimas de bullying têm risco três vezes maior de desenvolver ansiedade, depressão e ideação suicida. A neurociência explica: o cérebro processa a dor da exclusão na mesma região da dor física.
Quando procurar ajuda profissional?
"A pessoa que sofre bullying pode se isolar completamente. Crianças, por exemplo, às vezes não sabem expressar o que sentem, mas dizem: 'Mamãe, estou com dor de barriga, não quero ir para a escola'. Essa somatização expressa a ansiedade e o medo. Mudanças repentinas
de comportamento, queda no rendimento, distúrbios do sono e recusa em ir à escola são sinais de alerta. É neste momento que a família deve procurar ajuda psicológica imediata", destaca Irenilza.
Para a especialista, o enfrentamento exige aliança entre família e escola. "É muito importante ouvir a criança sem julgamentos e investigar o que está acontecendo. Não podemos minimizar dizendo que 'é coisa da idade'. Se há agressão ou violência, nós temos
o dever de intervir”, ressalta.
"Prevenir o bullying é ensinar empatia e responsabilidade. Também é essencial orientar as testemunhas a buscarem ajuda. Quem presencia o sofrimento do outro não deve se calar: precisa avisar a coordenação, a direção e se posicionar para interromper o ciclo
de violência", conclui a psicóloga.
Identificar e registrar os episódios anotando datas, relatos e guardando mensagens é indispensável para formalizar denúncias. Violência psicológica é dor real e exige acolhimento, cuidado e acompanhamento profissional especializado.
Sobre o Grupo Hapvida
Com mais de 80 anos de experiência, o Grupo Hapvida é hoje o maior ecossistema de saúde da América Latina. A companhia possui mais de 75 mil colaboradores e atende quase 16 milhões de beneficiários de saúde e odontologia espalhados pelas cinco regiões do Brasil.
Todo o aparato foi construído a partir de uma visão voltada ao cuidado completo, com mais de 800 unidades espalhadas pelo Brasil, incluindo 84 hospitais, prontos atendimentos, clínicas médicas, centros de diagnóstico e coleta laboratorial além de espaços especificamente
voltados ao cuidado preventivo e crônico.
Dessa combinação de negócios, apoiada em qualidade médica e inovação, resulta uma empresa com os melhores recursos humanos e tecnológicos para os seus clientes.




