Sergipe voltou a registrar perdas de água acima da média nacional, segundo o Estudo de Perdas de Água 2025, elaborado pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a GO Associados, com base nos dados do Sistema Nacional de Informações em Saneamento (SINISA) referentes a 2023.
O levantamento mostra que o estado perdeu 45,74% de toda a água tratada e disponibilizada na rede, percentual maior que o índice nacional, de 40,31%. O resultado indica que quase metade do volume produzido não chega ao consumidor final ou não é faturado, seja por vazamentos, falhas de medição, fraudes ou ligações clandestinas.
Além das perdas físicas, Sergipe também apresentou desempenho preocupante no indicador de perdas por ligação. O estado registrou 311,80 litros por ligação por dia, valor distante da meta de eficiência prevista para os próximos anos, que é de 216 L/ligação/dia. O indicador reforça a necessidade de revisão de redes antigas, modernização de sistemas de medição e fortalecimento do combate a irregularidades.
A situação em Aracaju segue a mesma tendência. A capital aparece com 45% de perdas na distribuição, acima da meta considerada adequada, de 25%. No índice de perdas por ligação, Aracaju registra 357,39 litros por ligação por dia, número ainda maior que o já elevado resultado estadual.
O estudo aponta que, se Aracaju reduzisse suas perdas ao patamar de 25%, seria possível liberar água suficiente para abastecer aproximadamente 85,4 mil pessoas ao longo de um ano, considerando o consumo médio nacional. O volume perdido na rede da capital é superior à população de diversos municípios sergipanos.
O impacto econômico também é significativo. No Brasil, o custo das perdas chegou a R$ 13 bilhões em 2023. Embora o levantamento não detalhe o valor individual por estado, o desempenho de Sergipe indica prejuízos relevantes, tanto pela água que deixa de ser faturada quanto pelos gastos adicionais com operação e recomposição de sistemas.
Para o Instituto Trata Brasil, a redução das perdas é essencial para que os estados cumpram as metas do Marco Legal do Saneamento, que prevê a universalização do abastecimento até 2033. O relatório destaca que investimentos em troca de tubulações, monitoramento de pressão, combate a fraudes e modernização de hidrômetros podem gerar retornos rápidos, reduzindo custos operacionais e evitando desperdício de recursos naturais.
Com perdas superiores à média nacional e desafios estruturais históricos, Sergipe tem um dos maiores potenciais de ganho caso avance em soluções de controle e eficiência na distribuição de água. O tema é considerado estratégico para ampliar o acesso ao abastecimento, melhorar a sustentabilidade do sistema e evitar pressões tarifárias no futuro.
Fonte: F5News




