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Economia

Exportações de carne bovina do Nordeste crescem mais de 50%

Retorno das vendas à China e investimentos em tecnologia no setor ajudaram no cenário, porém, acompanha as incertezas nas negociações com União Europeia

Por Redação Sergipe Notícias Publicado em 18/06/2026 às 09:18
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Exportações de carne bovina do Nordeste crescem mais de 50%

O Nordeste vive um novo momento na pecuária de corte. Tradicionalmente conhecido pela produção voltada ao mercado interno, a região passou a ganhar protagonismo também nas exportações de  carne bovina

No primeiro trimestre de 2026, os embarques internacionais cresceram 51,38% em relação ao mesmo período do ano passado, desempenho três vezes superior ao registrado pelo Brasil, que avançou 17%.

Entre janeiro e março, os estados nordestinos exportaram 9,4 mil toneladas de carne bovina, consolidando uma expansão impulsionada por investimentos em tecnologia, melhorias sanitárias e abertura de novos mercados internacionais.

O levantamento é do Escritório Técnico de Estudos  Econômicos do Nordeste (Etene), área de pesquisas do Banco do Nordeste (BNB).

 

Pernambuco, Bahia, Ceará e Maranhão lideram crescimento

O estudo mostra que quatro estados puxaram a expansão das exportações nordestinas.

EstadoCrescimento das exportações
Pernambuco +124%
Bahia +65%
Ceará +42%
Maranhão +30%

 

Segundo o Etene, o avanço ocorre principalmente pela habilitação de novas plantas frigoríficas para exportação, fortalecimento dos controles sanitários e diversificação dos países compradores.

 

Produção também cresce

 

Além do aumento nas exportações, o Nordeste registrou crescimento no abate de bovinos.

Turismo Nordeste

Nos três primeiros meses do ano, o número de animais abatidos aumentou 2,96% em relação ao mesmo período de 2025. Assim, o desempenho é atribuído à expansão de sistemas de produção semi-intensivos e intensivos, maior utilização de tecnologia no campo e integração com regiões produtoras de grãos, reduzindo custos de alimentação do rebanho.

 

Brasil segue líder mundial

 

O estudo aponta que, mesmo diante da reversão do ciclo pecuário, o Brasil continuará ocupando a liderança mundial na produção de carne bovina.

A expectativa é que o país produza cerca de 12,4 milhões de toneladas em 2026, respondendo por aproximadamente 20% de toda a produção mundial.

Especialistas alertam, porém, que o cenário internacional exige atenção. Questões geopolíticas, dificuldades logísticas e novas tarifas comerciais impostas por alguns países tornam fundamental ampliar mercados compradores e investir em produtos de maior valor agregado.

 

Banco do Nordeste amplia investimentos

 

Para fortalecer a cadeia produtiva da bovinocultura, o Banco do Nordeste vem ampliando o financiamento ao setor.

Turismo Nordeste

Entre 2020 e março de 2026, foram destinados quase R$ 26 bilhões para a bovinocultura de corte por meio do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE).

Somente em 2025, os investimentos chegaram a cerca de R$ 6 bilhões, sendo 61% dos recursos aplicados no Semiárido, região onde a adoção de novas tecnologias e sistemas produtivos vem aumentando a produtividade da pecuária.

 

China amplia compras, enquanto Europa impõe novos desafios

 

crescimento das exportações nordestinas também coincide com mudanças importantes no mercado internacional da carne bovina. Neste primeiro semestre de 2026, a China ampliou a habilitação de frigoríficos brasileiros, autorizando novas plantas a exportarem para o maior comprador mundial de carne bovina. A medida abriu espaço para aumentar os embarques e beneficiou diversos estados brasileiros, incluindo unidades do Nordeste que passaram a atender às exigências sanitárias do mercado chinês.

Por outro lado, o setor acompanha com atenção as discussões envolvendo o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. Apesar do avanço político das negociações, produtores brasileiros enfrentam resistência de países europeus e de entidades do agronegócio europeu, que defendem restrições à entrada da carne sul-americana, alegando preocupações ambientais e de concorrência.

Na prática, o cenário reforça a necessidade de o Brasil diversificar mercados compradores. Enquanto a Ásia, especialmente a China, segue impulsionando a demanda, o acesso ao mercado europeu continua cercado por exigências sanitárias, ambientais e comerciais que podem limitar o crescimento das exportações.

 

Nordeste amplia protagonismo no agronegócio

 

O crescimento das exportações confirma uma transformação gradual da pecuária nordestina. Estados que antes tinham participação limitada no mercado internacional passam a integrar a cadeia exportadora brasileira, gerando renda, empregos e fortalecendo o agronegócio regional.

Com novos frigoríficos habilitados, investimentos em genética, alimentação animal e sanidade, a expectativa é que a participação do Nordeste nas exportações brasileiras continue crescendo nos próximos anos.

 

Principais números

  •  Exportações do Nordeste: +51,38%
  • 🇧🇷Crescimento nacional: +17%
  •  Volume exportado: 9,4 mil toneladas
  •  Crescimento do abate na região: +2,96%
  •  Investimentos do BNB (2020-2026): R$ 26 bilhões
  •  Recursos destinados ao Semiárido em 2025: 61%

 

Fonte: NE9

 

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