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Sergipe mira potássio no mar e terras raras no litoral norte para atrair investimentos bilionários

Por Redação Sergipe Notícias • Publicado em 28/10/2026 às 16:55 •
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Sergipe mira potássio no mar e terras raras no litoral norte para atrair investimentos bilionários

Sergipe quer transformar o subsolo em nova fronteira de crescimento econômico. Em vídeo publicado pela Agência Sergipe de Desenvolvimento, a Desenvolve-SE, no quadro "Projeto em 1 minuto", o Assessor de Atração de Investimentos e Relações Internacionais, Hiram Azevedo, apresentou o potencial do estado para minerais estratégicos.
"Você sabia que Sergipe tem potencial para produzir minerais importantes? Potássio, terras raras, minerais críticos e outros recursos minerais considerados estratégicos", afirma Azevedo no vídeo do desenvolve.sergipe, publicado em 26 de outubro.
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"A Desenvolve-SE atua para conhecer o potencial mineral de Sergipe, criar condições para atrair novos negócios e investimentos, facilitar o acesso a incentivos e financiamento e articular os diferentes parceiros envolvidos nos projetos."
Segundo ele, os investimentos em mineração no estado saltaram de R$ 44 milhões em 2020 para R$ 180 milhões em 2025, impulsionados por três frentes: o projeto de potássio offshore, a pesquisa de terras raras em Brejo Grande e a parceria com o Serviço Geológico do Brasil.
O que diz o presidente da Desenvolve-SE
O presidente da agência, Milton Andrade, destaca que o movimento coloca Sergipe em outro patamar.
"Embora seja o menor estado do Brasil, Sergipe aparece no Portfólio de Projetos do Setor Mineral 2026, da Apex Brasil, com duas iniciativas desenvolvidas no estado: o projeto de potássio da South Atlantic Potash e o Saramém, da Backshore Resources, voltado a minerais como titânio, zircônio e terras raras. Estamos falando de uma potencialidade que nos coloca ao lado de estados que possuem uma vocação histórica para a mineração"
Andrade reforça a estratégia de informação como ativo para atrair capital:
"Quando levamos informação de qualidade para o setor privado, de forma gratuita e segura, criamos o ambiente necessário para que os fundos de investimento possam colocar os projetos de pé"
E completa sobre a relevância geopolítica:
"Quando falamos de minerais, falamos de geração de emprego, investimento e riqueza, mas também falamos de segurança geopolítica"
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"Com informação de qualidade e com essa parceria com o Serviço Geológico Brasileiro, temos certeza de que vamos estar na dianteira do Brasil no quesito minérios"
Segundo Andrade, os dois projetos já possuem memorandos assinados:
"Atualmente, os dois projetos que contam com o apoio da agência já possuem memorandos assinados. Com esses acordos firmados, a Desenvolve-SE tem a oportunidade de apresentar detalhadamente os projetos a investidores, fortalecendo o ambiente de negócios e ampliando as perspectivas de desenvolvimento para o setor mineral em Sergipe"
   

Potássio offshore: mineração sem mina no mar

O projeto é desenvolvido pela South Atlantic Potash (SAP), com apoio da Desenvolve-SE, na Bacia de Sergipe-Alagoas. A empresa detém cerca de 189 mil hectares autorizados para pesquisa e mapeou nove alvos exploratórios de silvinita.

O alvo geológico é o Membro Ibura, da Formação Muribeca, formado por antigos processos de evaporação marinha que concentraram sais como silvinita e carnalita. O conhecimento vem de mais de 200 poços de petróleo já perfurados. Quatro deles atravessaram o Membro Ibura, com destaque para o poço 1-SES-003-SE, onde foi identificada camada de 27,5 metros de silvinita a aproximadamente 2,5 km de profundidade.

A proposta é adaptar ao mar a lavra por dissolução. São perfurados poços a partir de estruturas offshore, injeta-se água para dissolver os sais, forma-se uma salmoura rica em minerais que retorna à superfície e vai para planta em terra por evaporação e cristalização. A tecnologia, segundo a empresa, não gera rejeitos sólidos, dispensa barragens e não utiliza reagentes químicos.

O tema é estratégico porque o Brasil é o segundo maior consumidor mundial de potássio e importa mais de 96% do cloreto de potássio consumido. A SAP projeta produção inicial de 2 milhões de toneladas por ano, cerca de 14% da demanda nacional atual e quatro vezes a produção brasileira atual, com economia de US$ 600 a 800 milhões por ano.
 

 Terras raras em Brejo Grande: o Projeto Saramém

No litoral norte, em Brejo Grande e Pacatuba, o Projeto Saramém prevê investimento de R$ 60 milhões para pesquisar e explorar titânio, zircônio e elementos de terras raras.

Conduzido pela Backshore Resources, o projeto ainda passa por licenciamento ambiental e estima até 450 empregos, sendo 120 diretos e 330 indiretos.

Entre os minerais estão ilmenita, rutilo, zircão e monazita. A monazita chama atenção por concentrar terras raras como cério, lantânio e neodímio, usados em eletrônicos, telecomunicações e geradores. O depósito Saramém/Brejo Grande tem recursos estimados em 120,7 milhões de toneladas. Em duas fases, o investimento total previsto chega a US$ 110 milhões.
Mapa do subsolo
Para transformar potencial em projeto, a Desenvolve-SE firmou em janeiro de 2026 protocolo com o Serviço Geológico do Brasil para levantamento geoquímico em cerca de 21 mil km², com aerogeofísica e banco de dados georreferenciado. O estado também lançou o Mapa Interativo de Mineração, que cruza processos minerários com logística e áreas protegidas.

A estratégia está alinhada ao Plano Nacional de Mineração 2050, que prioriza ampliar o conhecimento geológico e garantir minerais estratégicos.

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