O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou na quinta-feira (22) o “Conselho da Paz”. Cerca de 60 países foram convidados a integrar a iniciativa. Desses, ao menos 23 já aceitaram o convite, e seis rejeitaram.
▶️ Contexto: O Conselho da Paz é uma estrutura criada por Trump para atuar na manutenção da paz e na reconstrução da Faixa de Gaza. A iniciativa também pode atuar em outros conflitos internacionais no futuro.
- Desde que Trump anunciou o conselho, diplomatas vêm dizendo que a medida pode enfraquecer as Nações Unidas como um todo.
- De acordo com uma cópia do estatuto do conselho obtida pela agência Reuters, Trump terá mandato vitalício como presidente do grupo.
- Países que desejarem um assento permanente precisarão pagar US$ 1 bilhão (R$ 5,3 bilhões). Os recursos serão administrados por Trump.
Países mais alinhados a Trump, como Argentina e Israel, estiveram entre os primeiros a anunciar adesão ao conselho. Por outro lado, nações europeias veem a iniciativa com preocupação. O Brasil ainda avalia a proposta — veja a posição de Lula mais abaixo.
Segundo a agência de notícias Bloomberg, a Itália foi convidada para ser um dos países fundadores, mas ainda não respondeu ao convite do governo americano.
Até agora, o Canadá é o único país que teve o convite cancelado por Trump. O presidente americano anunciou a decisão após uma troca de farpas com o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, no Fórum Econômico Mundial.
Veja a seguir quem já aceitou e quem recusou o convite de Trump.
Países que aceitaram
- Armênia
- Arábia Saudita
- Argentina
- Azerbaijão
- Bahrein
- Belarus
- Bulgária
- Catar
- Cazaquistão
- Egito
- Emirados Árabes Unidos
- Hungria
- Indonésia
- Israel
- Jordânia
- Kosovo
- Marrocos
- Mongólia
- Paquistão
- Paraguai
- Turquia
- Uzbequistão
- Vietnã
Países que recusaram
- França
- Noruega
- Eslovênia
- Suécia
- Espanha
- Alemanha
Países que estão analisando
- Brasil
- Reino Unido
- China
- Croácia
- Itália
- Rússia
- Singapura
- Ucrânia
A posição de Lula
Nesta sexta-feira (23), o presidente Lula afirmou que o mundo vive um momento “muito crítico” do ponto de vista político e disse que a Carta da ONU está sendo “rasgada”. Ele também criticou o Conselho da Paz de Trump.
“Em vez de corrigir a ONU, como a gente reivindica desde 2003, com a entrada de novos países — como México, Brasil e países africanos — o que está acontecendo é que o presidente Trump está fazendo uma proposta de criar uma nova ONU, como se ele sozinho fosse o dono da ONU”, disse.
O g1 apurou que o Brasil não tem pressa para responder ao convite de Trump. A expectativa é que, em vez de uma resposta direta, o governo envie pedidos de esclarecimentos técnicos sobre brechas jurídicas do estatuto do conselho.
O governo Lula pretende usar o debate em torno dos interesses e do modo de atuação do novo órgão unilateral criado por Trump como argumento para defender uma reforma imediata do Conselho de Segurança da ONU durante a Assembleia Geral da organização, prevista para setembro.
- A estratégia, segundo fontes da diplomacia, será convocar outros líderes para uma reforma que democratize o sistema da ONU.
- O Brasil deve alertar que, caso as mudanças não ocorram, o mundo será governado por modelos como o proposto por Trump.
Diplomatas enxergam o plano de Trump como um atestado da falência do atual sistema multilateral. Destacam ainda que o novo órgão só ganha tração porque o Conselho de Segurança não consegue mais resolver crises como a de Gaza.
“Se Trump parar o genocídio em Gaza, ele prova que a ONU não serve mais para nada no formato atual”, avaliou uma fonte ligada à diplomacia do Brasil. Fonte: G1




