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Política

Jaques deve se reunir com Lula nesta semana para definir futuro

Encontro deve ser realizado nos próximos dias para discutir os desdobramentos político da operação da PF

Por Redação Sergipe Notícias Publicado em 22/06/2026 às 07:48
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Jaques deve se reunir com Lula nesta semana para definir futuro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve se reunir nesta semana com o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), para definir a permanência ou não do senador no cargo.

A investigação da PF (Polícia Federal) que atingiu o senador na quinta-feira (18) deixou o cargo de líder do governo no Senado na mira. A possibilidade de uma troca na posição ganhou força, mas o congressista resiste – também de olho em se reeleger nas eleições deste ano.

A conversa, no entanto, depende dos compromissos de Lula. Nesta segunda-feira (22), o presidente cumpre agendas no Rio de Janeiro e depois deve ir a São Paulo no início da semana. A expectativa é que Jaques se encontre com lideranças do partido antes da conversa com o presidente da República.

Jaques Wagner estava na Bahia durante as operações da PF. Lula, no entanto, pediu que o senador voltasse a Brasília para discutir os próximos passos. A primeira ideia era que Wagner estivesse no Distrito Federal já na última sexta-feira (19). No entanto, o encontro foi adiado por conta dos desdobramentos da operação.

Há uma pressão interna para que o governo apresente uma resposta às investigações da Polícia Federal que envolvem o senador. A percepção é de que o caso pode reequilibrar o tabuleiro eleitoral e prejudicar a campanha de Lula.

permanência de Jaques como líder do governo no Senado tem dois argumentos importantes. O primeiro é o cálculo eleitoral para o PT na Bahia. Jaques busca a reeleição e é popular no estado. As principais pesquisas de intenção de votos mostram Jaques Wagner dividindo com o ex-ministro e correligionário Rui Costa a liderança na corrida pela Casa Alta. Neste ano, serão eleitos dois senadores por estado – o que deixa o líder do governo em situação competitiva.

A leitura de aliados é que a saída do senador da liderança poderia enfraquecer a campanha não só de Jaques, mas também ter impacto nas outras candidaturas petistas na Bahia.

O segundo ponto é a relação de proximidade com Lula. O senador foi ministro do Trabalho e ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais no primeiro governo petista, além de ter chefiado o Ministério da Defesa e a Casa Civil durante as gestões de Dilma Rousseff. A amizade entre os dois e a confiança que o presidente deposita no senador podem desequilibrar a favor da manutenção.

O próprio Jaques Wagner afirmou que não pedirá para deixar o cargo. Ele disse também que o presidente Lula não mencionou essa possibilidade no telefonema que tiveram horas após a operação.

“Não acho que o Lula vai fazer isso, mas se ele fizer, é um direito dele. O cargo de líder do governo é do presidente da República, mas eu falei com ele hoje e ele sequer tocou nesse tema”, afirmou.

Lula foi questionado na sexta-feira (19) se Jaques Wagner permanece como líder do governo no Senado após a operação. O mandatário acenou com um "joia" no momento da pergunta, mas não respondeu.

O episódio ocorreu durante a agenda de Lula em Belo Horizonte (MG) para anunciar investimentos no Hospital Luxemburgo. A pergunta foi feita ao presidente enquanto ele se aproximava da plateia e cumprimentava a militância presente.

Interlocutores do presidente indicam que o Planalto estava preparado para rebater alegações sobre conexões do PT baiano com o caso do Banco Master, mas foi surpreendido pela operação contra o senador.

Liderança já vinha sendo questionada

Os questionamentos a respeito do trabalho de Jaques Wagner, no entanto, se arrastam desde a derrota de Jorge Messias para uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal).

Há dois meses, o líder do governo no Senado já havia sido alvos de críticas durante a votação do nome do advogado-geral da União. O Palácio do Planalto calculava uma aprovação com 45 votos, mas o que se viu foi uma reprovação histórica, com 42 contrários e apenas 34 favoráveis. Aliados apontam Jaques como um dos principais responsabilizados pelo cálculo errado, pela deficiência na articulação e por não ter alertado o Planalto.

Na ocasião, o próprio líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), colocou em questão a permanência de lideranças no Congresso. Mesmo dizendo que uma “caça às bruxas” não resolve os problemas, o deputado afirmou que alguns líderes estavam passando por uma espécie de “desgaste”.

Operação apontou ligações com o Master

A PF (Polícia Federal) deflagrou na última quinta-feira (19) a 9ª fase da Operação Compliance Zero. Entre os alvos estava o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado.

A corporação investiga um possível vínculo entre o entorno familiar de Jaques e suas empresas com outros nomes conectados ao liquidado Banco Master.

Segundo a PF, foram identificados elementos que indicam o "recebimento de vantagens econômicas indevidas pelo parlamentar, direta ou indiretamente" por meio de familiares, pessoas de confiança e estruturas societárias vinculadas ao Banco.

Nesta nova fase da investigação, foram encontrados cerca de 55 mil dólares (R$ 284,1 mil) e 33 mil euros (R$ 196,3 mil) e relógios em endereços ligados ao senador em Brasília e em Salvador.

A PF argumenta que o senador mantinha contato direto com Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Master. Ele era responsável pelas operações financeiras e envio de benefícios ao político.

Entre os benefícios entregues ao senador estão o suposto pagamento de um apartamento avaliado em R$ 2,4 milhões em Salvador (BA). Em uma conversa interceptada pela corporação, o parlamentar encaminhou o contato do gerente da construtora a Augusto com uma mensagem informando a unidade e o valor do imóvel. "A unidade é a 1702 e o preço é 2,45 milhões".

O imóvel teria sido comprado pela Epítome S.A., empresa dirigida por Luiz Antônio Lombardi e apontada como laranja para a negociação.

Além do apartamento, a PF apontou outras vantagens na representação encaminhada ao STF. Entre elas, o uso gratuito de jatinhos particulares vinculados a Augusto Lima ou ao Banco Master, o recebimento de ingressos de shows internacionais realizados em Los Angeles, nos Estados Unidos, e pagamentos destinados a uma empresa ligada ao núcleo familiar do parlamentar.

 

Fonte: CNNBrasil

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