Em pronunciamento no plenário do Senado nesta terça-feira (28/10), o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) defendeu a legitimidade da eleição presidencial e criticou a postura de Flávio Bolsonaro que publicou carta pública oficial se declarando presidente eleito.
Na tribuna, dirigindo-se ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, Vieira se referiu ao caso como a atitude de um "colega senador, candidato derrotado à Presidência da República, dizendo que é presidente eleito".
O senador afirmou que todos os eleitos representam os brasileiros pelo voto popular e têm o dever de repudiar atos antidemocráticos. Para ele, há duas urgências no momento.
A primeira, segundo Vieira, é repudiar a nota divulgada pelo candidato derrotado. A segunda, classificada por ele como "urgentíssima", é restaurar a credibilidade da Justiça brasileira.
"Precisamos debater a credibilidade da justiça brasileira", disse.
Vieira argumentou ainda que esse tipo de comportamento coloca em risco os interesses do Brasil no exterior, ao dar vazão a discursos contrários aos interesses nacionais.
Ao cobrar uma ação do presidente do Congresso Nacional, o senador destacou que o resultado da eleição foi proclamado e reconhecido pelos presidentes dos partidos, com margem superior a 4 milhões de votos. Ele reconheceu que há questionamentos sobre circunstâncias da disputa, citando boicote judicial e abuso de poder econômico, mas reforçou que o resultado expressou a vontade popular.
Para fundamentar sua defesa da democracia, Vieira citou Rui Barbosa:
"Conveniámos, vivemos numa democracia torta, mal conduzida, injusta, mas democracia"
O parlamentar lembrou que, nesse regime, é permitido criticar ministros e suas condutas, e ressaltou que todos os senadores presentes se manifestaram contra a ditadura e participaram do processo eleitoral.
Ao encerrar, Vieira afirmou que a responsabilidade de enfrentar o tema está "sobre os ombros de Vossa Excelência", em referência a Davi Alcolumbre.




